Tecnologia é utilizada no tratamento da depressão e enxaqueca em 16 estados

A fotobiomodulação transcraniana, tecnologia aprovada recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa),tem auxiliado no tratamento de pacientes com depressão refratária e enxaqueca crônica.

A tecnologia, que já faz parte da rotina de atendimento em 16 estados, tem sua eficácia embasada por estudos internacionais e reforçada por ensaios clínicos nacionais, liderados pelo doutor Dennison Monteiro, médico psiquiatra, na Universidade de Pernambuco (UPE), e pela doutora Idele Guimarães, médica neurologista, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O cenário global de doenças neurológicas, que afetam mais de 3,4 bilhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dá contexto ao avanço. Desenvolvido pela HeadUp, o primeiro dispositivo brasileiro voltado ao uso médico em transtornos neurológicos e psiquiátricos emprega luz infravermelha para estimular processos celulares no cérebro.

Na prática, os resultados observados em serviços de saúde no país reforçam a adoção do método, que utiliza emissão de luz para modulação da atividade cerebral e pode ser aplicado em casos que não respondem adequadamente aos tratamentos convencionais. A fotobiomodulação transcraniana (FBM) atua com comprimentos específicos de luz direcionados a regiões do cérebro associadas ao humor, à percepção da dor e às funções cognitivas.

Em Pernambuco, estudos clínicos liderados pelo psiquiatra dr. Dennison Monteiro indicam resposta positiva em casos de depressão refratária, condição definida pela ausência de melhora após pelo menos dois tratamentos com antidepressivos. Entre os 22 pacientes que concluíram o protocolo, 41% apresentaram resposta clínica, taxas similares às observadas a outros tratamentos mais complexos, como a estimulação magnética transcraniana (EMT).

No campo da neurologia, a médica Idele Guimarães acompanha pacientes com enxaqueca crônica que utilizam a mesma abordagem em ambiente clínico. Os dados indicam redução na frequência e intensidade das crises após sessões regulares. Além da melhora nos indicadores de dor, os pacientes apresentaram redução de 39% no número de dias com dor de cabeça e também do uso excessivo de analgésicos.

Fabricado pela Santos Tecnologia, do Grupo Santos Tec, o capacete desenvolvido pela HeadUp utiliza luz infravermelha de 810 nanômetros para estimular processos celulares ligados à atividade mitocondrial, com impacto na oxigenação, regeneração e modulação neuroquímica. O equipamento permite ajustes de intensidade e frequência para diferentes protocolos clínicos.