O mês de março, dedicado às mulheres, traz um alerta importante: cuidar da saúde feminina vai muito além das homenagens.
Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que 86% das mulheres brasileiras relatam viver algum nível de exaustão mental. Já dados de uma pesquisa feita por uma empresa alimentar com mulheres de todo o Brasil e divulgada pelo portal Medicina S/A no final do ano de 2025, mostram que 72,2% afirmaram que melhorar a alimentação está entre as principais metas de saúde e bem-estar para 2026. O movimento aponta uma mudança de mentalidade, mas também evidencia que prevenção e acompanhamento profissional ainda precisam ser prioridades.
A nutricionista clínica Graziele Santos avalia que a busca por uma melhor alimentação das mulheres reflete uma mudança real de mentalidade. “Hoje a mulher entende que alimentação está ligada à energia, imunidade, prevenção de doenças e saúde mental, não apenas à estética. Porém, ainda existe um intervalo entre intenção e constância, especialmente pela sobrecarga de responsabilidades”.
Um dos erros mais comuns são as mudanças radicais na rotina de alimentação. A dedicação à saúde, entretanto, exige simplesmente planejamento, organização básica da geladeira e priorização do sono. Dessa forma, o autocuidado deixa de ser cobrança e passa a ser prioridade.
A psicóloga Jane Mary explica que a vulnerabilidade feminina à ansiedade e à depressão está ligada a fatores biológicos, psicológicos e sociais. “Na maternidade, há exaustão, falta de rede de apoio e mudanças hormonais. No climatério e no envelhecimento, surgem medos relacionados à saúde, solidão, perda da libido e a síndrome do ninho vazio”, afirma.
Ela reforça que sinais como irritabilidade constante, culpaexcessiva, tristeza persistente, desânimo, ansiedade generalizada, alterações de sono e apetite, isolamento e negligência com o autocuidado indicam a necessidade de ajuda profissional. Além disso, para aquelas que são mães e cuidadoras, a sobrecarga pode gerar impactos físicos, podendo evoluir para o chamado “Burnout materno”.
Para a ginecologista Beatriz Mendes a prevenção é a base da saúde feminina e os cuidados não podem ser adiados em nenhuma fase da vida. “A saúde íntima, a higiene adequada e a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis devem começar ainda na juventude e seguir por toda a vida”, destaca.
Entre os exames indispensáveis estão o Papanicolau ou PCR para HPV, fundamentais para a prevenção do câncer de colo de útero, além da mamografia anual para rastreamento do câncer de mama, conforme indicação médica.