Pesquisadores da Unicamp desenvolvem tratamento promissor contra o câncer de pele

Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão trabalhando no desenvolvimento de um tratamento promissor contra o câncer de pele não melanoma, que é o de maior incidência no Brasil. O tumor atinge regiões expostas ao sol, como o rosto, orelhas, bocas, braços, pernas e pescoço.

Geralmente este tipo de câncer é tratado com o que os médicos chamam de “ressecção cirúrgica”, a remoção de uma parte ou da totalidade do órgão ou tecido atingidos, em um procedimento que pode deixar cicatrizes ou resultar até mesmo em mutilação.

O químico e coordenador do Laboratório de Pesquisas em Química Bioinorgânica e Medicinal da Unicamp, Pedro Paulo Corbi, trabalha no desenvolvimento de uma molécula há 12 anos e agora conta com a colaboração damédica oncologista Carmen Silvia Passos Lima, coordenadora do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital de Clínicas da Unicamp e do Laboratório de Genética do Câncer da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, e com a farmacêutica Gisele Goulart, pesquisadora do Lageca.

Após essa colaboração, o desenvolvimento dessa molécula tem se mostrado promissor no tratamento deste tipo de câncer. Segundo divulgado pela Unicamp, a pesquisa chegou a um composto inovador, nascido da mistura de um complexo de prata combinado com um anti-inflamatório e começou a ser testado em humanos no início deste ano e tem trazido perspectivas alentadoras para pacientes que necessitam de tratamento.

O carcinoma de células escamosas cutâneo é o segundo mais prevalente entre os cânceres humanos em todo o mundo e o tratamento do câncer de pequenas dimensões baseia-se na ressecção do tumor por cirurgia. Entretanto, pacientes cujo o câncer está avançado geralmente são inelegíveis para cirurgia curativa ou radioterapia e então esses pacientes são tratados com quimioterapia com cisplatina, que oferece benefícios clínicos modestos e toxicidade potencialmente grave.

Pensando nisso, o químico Pedro Corbi e a médica oncologista Carmen Lima avaliaram novas moléculas contra o tumor que pudessem ter uso direto na pele, para evitar toxicidades. O objetivo inicial era apenas diminuir o tamanho da lesão. Com isso, o cirurgião teria uma área menor a ser retirada e, assim, poderia reduzir as sequelas.

Diversas pesquisas seguem sendo realizadas e o químico e a médica oncologista afirmam que enxergam o futuro do experimento com otimismo. “A meta inicial era apenas reduzir o tumor, mas agora podemos ter como perspectiva a remissão total”, afirmam.

“Os resultados até agora foram promissores, com redução do tumor nos pacientes avaliados e ausência de toxicidade. Precisamos agora testar em um segundo grupo de pacientes, ainda na fase I do estudo, com dose maior do AgNMS, para verificar qual dose será menos tóxica para tratar os pacientes da fase II”, disse Gisele Goulart.