Campanha da Fraternidade 2026 é lançada com foco no direito à moradia digna

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou na quarta-feira (18), a Campanha da Fraternidade de 2026, com o lema “Ele veio morar entre nós” (João 1,14) e propõe à Igreja e à sociedade a reflexão sobre a moradia como condição essencial para a dignidade humana. 

Com o tema “Fraternidade e Moradia” trata da realidade de muitos brasileiros que ainda não têm acesso a uma casa adequada. A escolha do tema acolhe sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas e reforça o compromisso histórico da Igreja com a defesa dos direitos sociais e da justiça.

Para a CNBB, o objetivo é provocar uma reflexão sobre a habitação como um direito fundamental e a “porta de entrada” para outros direitos, como saúde, segurança, educação e dignidade.

O secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoerpers, afirmou que moradia é uma condição básica para o exercício de outros direitos e que não se pode considerar a desigualdade um tema inevitável.

Mantendo uma tradição desde 1970, o Papa Leão XIV mandou uma mensagem para a campanha em que coloca a moradia digna no centro da reflexão quaresmal. O Pontífice recorda quea Quaresma é um período de oração intensa, jejum e penitência.Ele cita Santo Agostinho ao lembrar que esta é “a época solene que nos lembra o dever de nos aplicarmos à prece e ao jejum mais do que em qualquer outro tempo do ano”.

 

Números do déficit habitacional

A Campanha da Fraternidade de 2026 chama atenção para a realidade habitacional, sendo que cerca de 328 mil pessoas vivem em situação de rua. Os dados são de 2022 e foram divulgados pela Agência Brasil.

Dados do Ministério das Cidades apontam que, entre 2022 e 2023, houve recuo de 3,8% na quantidade de famílias sem imóvel próprio para morar. Com isso, o déficit habitacional absoluto teria baixado de 6,21 milhões de domicílios para 5,97 milhões, no período.

O governo federal destaca que o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) contratou mais de 1,9 milhão de unidades desde 2023, com investimento público superior a R$ 300 bilhões.

Atualmente a meta do programa é chegar a 3 milhões de moradias contratadas no fim de 2026, 50% a mais que a meta original.

 

Foto: Francisco Coelho