Pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (FEA Unicamp)desenvolveram um ingrediente funcional de alto valor agregado a partir do Gryllus Assimilis, espécie de grilo bastante recorrente no Brasil.
Com a necessidade deavaliar fontes alternativas de proteína, os pesquisadores chegaram a um ingrediente mais palatável.“Estamos falando de um inseto que é descaracterizado e transformado em farinha. Nesse processo, elimina-se a visualização do inseto e obtém-se um material que pode ser trabalhado e incorporado em diferentes preparações. Essa abordagem aparece como uma estratégia bastante relevante para prospectar o uso de insetos e vencer essas barreiras”, detalhou Guilherme Tavares, docente de FEA e um dos inventores da tecnologia.
Assim, eles desenvolveram umafarinha com composição química complexa, composta por lipídios, proteínas e fibras. A partir desse material, o passo seguinte foi aplicar processos de extração com o objetivo de recuperar frações concentradas em nutrientes específicos. A principal linha de trabalho concentrou-se na extração de proteínas das farinhas de insetos, visando a produção de concentrados e isolados proteicos.
O consumo de insetos, conhecido como entomofagia, faz parte de algumas culturas da Ásia, África e América Latina, mas ainda possui resistência em maior escala, seja pela textura ou pela falta de hábito. Saindo do plano cultural, há uma curva crescente de estudos sobre a proteína provinda dos insetos, assim como outros nutrientes, como minerais, gorduras, ferro, zinco e vitaminas do complexo B.
Uso do alimento
Em termos de aplicações, atecnologia pode ser incorporada à formulação de diferentes alimentos. Na panificação, por exemplo, o ingrediente pode ser adicionado à receita de pães com o objetivo de enriquecer o perfil nutricional do produto final, elevando o teor de proteínas e agregando compostos com potencial bioativo. Essa incorporação permite ampliar as características funcionais do alimento sem alterar significativamente seu formato de consumo habitual.
Além disso, o componentepode ser comercializado como suplemento, configurando-se como alternativa às formulações à base de soro de leite, amplamente difundidas no mercado. Nesse caso, o diferencial está tanto na origem da proteína quanto na possibilidade de oferecer um perfil nutricional equilibrado, alinhado à demanda por novas fontes proteicas e por ingredientes com maior funcionalidade.